Hella Divindade Escandinava

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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

O Poder Binário de Invocar Divindades

Século XXI e talz...

Tantos avanços na aceitação da diversidade, tantos retrocessos pelo medo do diferente!

Vivemos sem dúvida um tempo de dualidades incomensuráveis.

Como diziam os magos antigos o universo está em nós e nós somos parte dele. Logo faz sentido refletir o quanto desta dualidade está em nós. O quanto ainda somos limitados em nossa amplitude hipócrita cantada aos quatro ventos em nossos atos divulgados sem sensatez, principalmente nas mídias sociais.

Reconheço muito de mim mesma nesta parte do caminho. No outono de minha vida, contemplo reflexiva mais um inverno cravar suas últimas garras, estilhaçando as primeiras floradas da primavera e mostrando sua força ainda poderosa, única e desoladora!

Vejo-me hoje nestas contradições: algoz do que já fui vítima, cobrada por coisas que não são feitas por quem cobra, estendendo a mão para mais uma aflição que já foi a minha...

"E a roda vai girando vai girando! E a roda vai girando vai..."

Por cima por três minutos, por baixo 3 semanas. A Roda da Fortuna Imperatrix Mundi é implacável nos versos hereges de Carl Off, na vida na periferia de São Paulo e em qualquer lugar!

Os Deuses se manifestam o tempo todo e em toda a parte. Sua sutileza nos sinais é muito perspicaz. Uma espécie de inteligência sensível que combina a mais precisa das linhas de pensamento racional ao mais poderoso dos sentimentos: Ágape o amor divino!

Enquanto aqui - na terra dos mortais mentecaptos - seguimos nossa sina separando tudo: razão de emoção, ciência de saber, amor de sexo, como se viver por aqui fosse assim, fácil como uma questão com apenas duas alternativas. No conforto dos sistemas binários nos acomodamos com a falsa segurança de estabelecer apenas duas variáveis. A complexidade do cosmo não é esta. Jamais poderia ser!

O cosmo está em nós! Da mesma forma que você que agora lê este blog e ao mesmo tempo pensa em inúmeras coisas ao mesmo tempo: "quantas estações de metrô mesmo falta para eu descer?"; "quem ela está querendo cutucar com este texto?": "será que eu também sou um mentecapto?"; "hoje vou almoçar salada porque zoei a dieta a semana toda!"; "quem ela pensa que ela é para escrever estas coisas?"; "essa tal de wicca deve ser um barato!" - os Deuses também são vários em um só e tudo ao mesmo tempo. Inteligências muito superiores, atuam em múltiplas direções, em variados estados de consciência e em diversos planos astrais.

O recado é dado em um segundo e se você deixar de ouvir, pode até haver a gentileza de ser repetido por mais algumas vezes! Porém a o custo da desatenção, do medo, da hesitação e da ignorância são altos! É preciso ouvir! É preciso saber! É preciso querer! É preciso ousar! É preciso calar! Estas são as chaves da evolução no caminho mágico!

Chamar uma divindade por motivos frugais não é uma boa ideia.

Chamar o tempo todo também não.

Os atributos de uma divindade são inúmeros. Trata-se de uma energia muito superior e antiga, anterior a quase tudo nesta Terra! Damos nomes, faces, corpos, indumentárias, criamos histórias fantásticas. Mas elas são muito mais complexas do que o nosso entendimento possa dar conta. Toda e qualquer forma de representação não passa do humano, do demasiado humano, os Deuses não são humanos. Personificam a face que queremos por amor para que - quem sabe - possamos ouvir a mensagem.

Ao invocar divindades desde um desabafo na vida real ou nas mídias sociais, até rituais realmente estudados e escolhidos; dar nome de divindades aos seus animais; chamar pelas divindades em qualquer conversa banal... Enfim, o conselho que quero dar com todo o amor do meu coração é: por favor reflita com seriedade a respeito. Os Deuses tem bem mais tarefas do que resolver nossa incapacidade de lidar com os entreveros de nosso caminho.

Os Deuses não gostam de vitimização.

É entediante!

A mitologia nos mostra que os grandes campeões dos Deuses são aqueles que resolvem seus combates pessoais internos e externos se responsabilizando tanto pela celebração de seus êxitos quanto pelo aprendizado a partir de seus seus fracassos.

Claro que o desespero pelas injustiças do caminho nos tira a razão e é legítimo recorrer ao amor maior nos momentos mais difíceis.

Mas volto a insistir na reflexão profunda a cerca de qual divindade invocar em suas preces. Pergunte-se se de fato o chamado é legítimo; se é de fato o caso de dizer seu nome em voz alta ou escrever este nome. Quanto a citar nas mídias sociais é uma boa ideia pensar se de fato é legítimo perturba-la por tão pouco, reflita e estude sobre qual chamar nos momentos difíceis e faça-o para si se realmente for o caso. Não desperte forças das quais você não tem conhecimento - ou pior - tem meio conhecimento.

Tudo neste cosmo tem sua luz e - naturalmente - sua sombra.

E o nosso sombrio tem por péssimos hábitos a vitimização e a transformação do outro em algoz; sem admitir a possibilidade de haver contribuição de nossa sombra para a situação ter chegado ao ápice tanto da dor quanto da tristeza.

Maturidade é saber-se responsável por boa parte dos infernos que criamos e, ao invés de invocar os Deuses da justiça para resolver o que nós mesmos ativamos e fracassamos, melhor é seguir o nosso caminho com a consciência de quem também falhamos. Mais sábio é pedir força, luz e sabedoria para que alcancemos a solução por mérito nosso.

Mas se preferir, livre arbítrio é isso! Todas as religiões tem a mesma leitura: a escolha é nossa sempre!

Somos livres para rezarmos a qual divindade quisermos!

Porém quando a divindade invocada mostrar sua face, não se assuste se o preço mais alto será pago por quem a chamou!

Os olhos de faca dos Deuses são atentos e a oportunidade de aprendizado se repete todos os dias para quem está disposto a ouvir e parar de querer transformar os outros ou o mundo e perceber que a maior mudança é a que fazemos em nós mesmos.

Boas reflexões e enfrentamentos para todos!


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