Vivências de uma praticante da magia no Brasil com suas oscilações, vicissitudes e variações.
Hella Divindade Escandinava
Hella Divindade Escandinava
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Cruzando Águas Conhecidas
viciada em ouvir "Children of The Sun" do Dead Can Dance
Exausta até para as tarefas mais simples vejo mais um dia se erguer nublado, cinzento e úmido, combinando com o verão tropical do meu país e com o verão em mim.
É bom ver-se parte e todo ao mesmo tempo. Desta forma não se sente só ou descartada.
O privilégio de caminhar com a décima sétima roda passando por cima de mim é a certeza de que não aprendi como deveria. Não na profundidade necessária e sempre há mais camadas de entendimento, véus que a Deusa ergue graciosamente a cada esbat... A cada sabbat... A cada instante em que estamos dispostos a ver e a ouvir suas mensagens e sussurros...
ELA está conosco sempre!
Muito provavelmente seja por isso que atravesso pelas mesmas águas. As mesmas questões novamente erguem-se perante minha nau como vagas gigantes e é inevitável sentir-me insatisfeita, incompleta, enganada pelas falsas certezas que tinha e perdendo cada estabilidade que acreditava ter.
O filósofo poeta já disse "Amadurecer é perder as certezas..."
Ver tudo de novo por conta de repetições incontáveis faz com o desespero reveze com a fadiga e o silêncio. Não protesto mais como Ulysses em A Odisseia, largo o leme, entrego a minha nau aos ataques de Sila e permito que o que restar dela seja devorado por Caribidis mais uma vez. Já sei que não há o que fazer. Já sei que resposta virá de quem eu pedir socorro e já sei o que vou ver assim que as portas que bati se abrirem. É inevitável. Talvez se eu resistir menos, se chorar ou lamentar menos tudo termine mais rápido. O anel da mártir brilha em meu dedo...
Peça para que o que precisa ser absorvido finalmente seja e sim vá sem medo!
Eu realmente acreditei em minhas escolhas. Realmente acreditei que elas trariam o melhor para mim e não me arrependo de nenhuma delas. Ergo-me e enfrento o meu destino com resignação, silêncio, exaustão e honra. Que venha logo e pronto! Que se faça! Estou cansada! Que seja de uma vez!
O homem de vime queima calado. Talvez seja o que falta para o que se cumpra finalmente se faça.
Sempre me questiono sobre isso. O sacrifício. Já li sobre pessoas prestes a serem sacrificadas em outros períodos da história, o sacrifício de suas vidas de fato - seja pelo sagrado seja por outros motivos mais ligados à vaidade humana de calar o outro para se fazer valer em poder. Li muitos relatos em que as reações são muito variadas desde a resistência e o pavor que fazia com que em muitos casos, as bocas dos executados ainda falassem após a decapitação. Em outras leituras soube de uma estranha calma que tornou o feito da execução leve e pacífico. Sempre quis saber qual dessas reações seria a minha caso eu viesse a passar por isso. Por longo período desta vida tive a certeza de que seria a segunda. Por algumas vezes mudei de ideia e me vi praguejando a todos os que me condenavam, claro! Mas hoje acredito que seria a segunda não por calma, mas sim por alívio. Termine logo com isso... Ou algo assim.
Sem reflexão do porquê disto? Sem lição? Sem aprendizado?
O entendimento virá como sempre. Em camadas e com o tempo.
Finalmente aprendendo... Será?
Espero que sim.
Espero que seja o finalmente aprendendo de verdade e não mais um quase.
Só mais um dia na vida de uma típica bruxa brasileira.
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