A busca do equilíbrio é celebrada em muitos aspectos do Caminho Mágico e outros caminhos que com ele são trançados e performam os lindos desenhos da Deusa dos Dedos Ligeiros...
Lembro das minhas primeiras aulas de fotografia, onde meu professor buscava extrair de mim o vício nos dispositivos automáticos de minha câmera e me ensinar a paciência da elaboração da foto em "ponto de ouro".
Havia um tempo em que as máquinas fotográficas eram apenas de filme de rolo. Suas variáveis para compra se davam apenas das automáticas para as semiautomáticas e quantos milímetros de abertura comportavam para depois poder abarcar lentes objetivas com aberturas maiores.
Era um charme montar o equipamento, o click da lente no corpo da máquina, o ajuste do foco automático, contrastando com o foco manual atingido a dedo e a olho! O sinal de que o mecanismo de disparo poderia ser ativado porque a luz, o brilho e a luz estavam no ponto certo... "O Ponto de Ouro" era de dar ondas de choque de tanto prazer.
Chegávamos a comprar tripê e ficar longos minutos acertando para sol, objetiva, foco, velocidade de abertura da janela, iso e tantos outros mecanismos até atingir o ponto de ouro e o sinal de aviso sonoro ser ativado e finalmente o registro fotográfico ser realizado.
Hoje as máquinas digitais nos fazem pecar pelo excesso de fotos por minuto! Milhares de filmes de rolo seriam gastos e papel fotográfico utilizado para tanta foto em tão pouco tempo! Fortunas seriam deixadas nos laboratórios de revelação fotográfica caso esse advento não chegasse a nós. Ah sim a democratização do acesso a arte da fotografia foi maior! Sem dúvida! Mas ao mesmo tempo desaprendemos a arte do equilíbrio, da contemplação, da apreciação que antecedem ao acerto como éramos forçados a aprender com a busca pelo "ponto de ouro".
É o preço da contemporaneidade, muitos vão me dizer, vejo a ironia na cara dos mais jovens vendo-me como alguém que não aceita que envelheceu e que o que era considerado valor para a sua geração agora é piada e saudosismo teimoso...
Tenho uma máquina digital e adoro sua produção.
Mas nessas tardes douradas de outono... Anseio por tempo para armar o tripe e usar minha máquina analógica e registrar longamente um por de sol dourado através da arte do contemplar, medir, observar e pacientemente chegar ao equilíbrio da equação luz e sombra! Esse ponto de ouro e o prazer de encontrá-lo, máquina alguma vai tirar de mim.
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